terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A busca consciente

A felicidade não é atingida pela busca consciente de felicidade; ela é geralmente um subproduto de outras atividades. (Aldous Huxley)

Blogueira que geralmente vem a passeio, quero falar um pouco sobre essa busca.
Consciente eu sempre busco estar feliz, ser uma pessoa feliz. Não funciona não. Até funciona, mas nem sempre.
Bom é viver. Estar sempre realizando diversas atividades nos faz dar valor ao que realmente deve ter valor na vida.
TRabalhando, estudando, brincando, cozinhando ou andando de roller no parque se faz amigos. E conhece-se novas felicidades.
A felicidade compartilhada é uma das mais completas.
Aprendi a moles penas se comparada com Alexander Supertramp que sonhou em viver no Alasca(INTO THE WILD - movie).
Já sei que a felicidade existe nas e com as pessoas. Pra mim funciona melhor quando entendo assim. O paradoxo é que a infelicidade também.

Só um pouco, pra começar a discussão interna.
Pode ser que eu esteja enganada.

A ideia inicial do post não era essa. Mas o twitter sempre me pega de jeito com seus quase 140 caracteres de sabedoria free. Pra mim é assim.

Foda-se se pra você não. (Hey mãe e irmã mais velha, vcs não precisam ler isso, o linguajar é inapropriado, sorry.)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Palavras Não Falam (cantado por Mariana Aydar)


Essa é só uma musiquinha gostosa que ouvi há pouco e me lembrou de vir aqui tirar as teias do blog.
A música é uma expressão cultural muito rica.
Eu gosto de música, e de letra de música.
Me identifica um pouco esta.
"Eu não escrevo pra ninguém... Eu me entendo escrevendo E vejo tudo sem vaidade"

Os créditos da foto são da amiga Gabrieli n. Enderle. orkut: http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?origin=is&uid=10940710336488598901

Fim de semana chegando. Geralmente é pra ser bom, não é?
beijo!


PALAVRAS NÃO FALAM
Mariana Aydar
Composição: Kavita

link pra ouvir e ver o vídeo, se quiser: http://www.youtube.com/watch?v=x04QvWnfGes&feature=related

"Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras
Eu não escrevo pra ninguém e nem pra fazer música
E nem pra preencher o branco dessa página linda
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras
Eu me entendo escrevendo
E vejo tudo sem vaidade
Só tem eu e esse branco
Ele me mostra o que eu não sei
E me faz ver o que não tem palavras
Por mais que eu tente são só palavras
Por mais que eu me mate são só palavras
Só palavras
Só palavras..."

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

AS VÁRIAS FOMES DA MARINA (por José Ribamar Bessa Freire)

31/01/2010 - Diário do Amazonas
Fonte/direitos autorais: http://www.taquiprati.com.br/home/apresenta-cronica.php?cronica=cronica31-01-2010

“Ai, meu Deus! / O que foi que aconteceu / com a música popular brasileira”?

Há pouco, Caetano Veloso descartou do seu horizonte eleitoral o presidente Lula da Silva, justificando: “Lula é analfabeto”. Por isso, o cantor baiano aderiu à candidatura da senadora Marina da Silva, que tem diploma universitário. Agora, vem a roqueira Rita Lee dizendo que nem assim vota em Marina para presidente, “porque ela tem cara de quem está com fome”. Os Silva não têm saída: se correr o Caetano pega, se ficar a Rita come.

Tais declarações são espantosas, porque foram feitas não por pistoleiros truculentos, mas por dois artistas refinados, sensíveis e contestadores, cujas músicas nos embalam e nos ajudam a compreender a aventura da existência humana. Num país dominado durante cinco séculos por bacharéis cevados, roliços e enxudiosos, eles naturalizaram o canudo de papel e a banha como requisitos indispensáveis ao exercício de governar, para o qual os Silva, por serem iletrados e subnutridos, estariam despreparados.

Caetano e Rita Lee foram levianos, deselegantes e preconceituosos. Ofenderam o povo brasileiro, que abriga, afinal, uma multidão de silvas famélicos e desescolarizados. De um lado, reforçam a idéia burra e cartorial de que o saber só existe se for sacramentado pela escola e que tal saber é condição sine qua non para o exercício do poder. De outro, pecam querendo nos fazer acreditar que quem está com fome carece de qualidades para o exercício da representação política. A rainha do rock, debochada, irreverente e crítica, a quem todos admiramos, dessa vez pisou na bola. Feio.

- “Venenosa! Êh êh êh êh êh! / Erva venenosa, êh êh êh êh êh! / É pior do que cobra cascavel / o seu veneno é cruel.../.Deus do céu! / Como ela é maldosa!”. Nenhum dos dois – nem Caetano, nem Rita - têm tutano para entender esse Brasil profundo que os silvas representam.

A senadora Marina da Silva tem mesmo cara de quem está com fome? Ou se trata de um preconceito de roqueira paulista, que só vê desnutrição ali onde nós vemos uma beleza frágil e sofrida de Frida Kahlo, com seu cabelo amarrado em um coque, seus vestidos longos e seu inevitável xale? Talvez Rita Lee tenha razão em ver fome na cara de Marina, mas se trata de uma fome plural, cuja geografia precisa ser delineada. Se for fome, é fome de quê?

O mapa da fome

A primeira fome de Marina é, efetivamente, fome de comida, fome que roeu sua infância de menina seringueira, quando comeu a macaxeira que o capiroto ralou. Traz em seu rosto as marcas da pobreza, de uma fome crônica que nasceu com ela na colocação de Breu Velho, dentro do Seringal Bagaço, no Acre. Órfã da mãe ainda menina, acordava de madrugada, andava quilômetros para cortar seringa, fazia roça, remava, carregava água, pescava e até caçava. Três de seus irmãos não agüentaram e acabaram aumentando o alto índice de mortalidade infantil.

Com seus 53 quilos atuais, a segunda fome de Marina é dos alimentos que, mesmo agora, com salário de senadora, não pode usufruir: carne vermelha, frutos do mar, lactose, condimentos e uma longa lista de uma rigorosa dieta prescrita pelos médicos, em razão de doenças contraídas quando cortava seringa no meio da floresta. Aos seis anos, ela teve o sangue contaminado por mercúrio. Contraiu cinco malárias, três hepatites e uma leishmaniose.

A fome de conhecimentos é a terceira fome de Marina. Não havia escolas no seringal. Ela adquiriu os saberes da floresta através da experiência e do mundo mágico da oralidade. Quando contraiu hepatite, aos 16 anos, foi para a cidade em busca de tratamento médico e aí mitigou o apetite por novos saberes nas aulas do Mobral e no curso de Educação Integrada, onde aprendeu a ler e escrever. Fez os supletivos de 1º e 2º graus e depois o vestibular para o Curso de História da Universidade Federal do Acre, trabalhando como empregada doméstica, lavando roupa, cozinhando, faxinando.

Fome e sede de justiça: essa é sua quarta fome. Para saciá-la, militou nas Comunidades Eclesiais de Base, na associação de moradores de seu bairro, no movimento estudantil e sindical. Junto com Chico Mendes, fundou a CUT no Acre e depois ajudou a construir o PT. Exerceu dois mandatos de vereadora em Rio Branco, quando devolveu o dinheiro das mordomias legais, mas escandalosas, forçando os demais vereadores a fazerem o mesmo. Elegeu-se deputada estadual e depois senadora, também por dois mandatos, defendendo os índios, os trabalhadores rurais e os povos da floresta.

Quem viveu da floresta, não quer que a floresta morra. A cidadania ambiental faz parte da sua quinta fome. Ministra do Meio Ambiente, ela criou o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo de Desenvolvimento para gerir as florestas e estimular o manejo florestal. Combateu, através do IBAMA, as atividades predatórias. Reduziu, em três anos, o desmatamento da Amazônia de 57%, com a apreensão de um milhão de metros cúbicos de madeira, prisão de mais 700 criminosos ambientais, desmonte de mais de 1500 empresas ilegais e inibição de 37 mil propriedades de grilagem.

Tudo vira bosta

Esse é o retrato das fomes de Marina da Silva que – na voz de Rita Lee - a descredencia para o exercício da presidência da República porque, no frigir dos ovos, “o ovo frito, o caviar e o cozido / a buchada e o cabrito / o cinzento e o colorido / a ditadura e o oprimido / o prometido e não cumprido / e o programa do partido:/ tudo vira bosta”.

Lendo a declaração da roqueira, é o caso de devolver-lhe a letra de outra música - ‘Se Manca’ - dizendo a ela: “Nem sou Lacan / pra te botar no divã / e ouvir sua merda / Se manca, neném! / Gente mala a gente trata com desdém / Se manca, neném / Não vem se achando bacana / você é babaca”.

Rita Lee é babaca? Claro que não, mas certamente cometeu uma babaquice. Numa de suas músicas - ‘Você vem’ - ela faz autocrítica antecipada, confessando: “Não entendo de política / Juro que o Brasil não é mais chanchada / Você vem....e faz piada”. Como ela é mutante, esperamos que faça um gesto grandioso, um pedido de desculpas dirigido ao povo brasileiro, cantando: “Desculpe o auê / Eu não queria magoar você”.

A mesma bala do preconceito disparada contra Marina atingiu também a ministra Dilma Rousseff, em quem Rita Lee também não vota porque, “ela tem cara de professora de matemática e mete medo”. Ah, Rita Lee conseguiu o milagre de tornar a ministra Dilma menos antipática! Não usaria essa imagem, se tivesse aprendido elevar uma fração a uma potência, em Manaus, com a professora Mercedes Ponce de Leão, tão fofinha, ou com a nega Nathércia Menezes, tão altaneira.

Deixa ver se eu entendi direito: Marina não serve porque tem cara de fome. Dilma, porque mete mais medo que um exército de logaritmos, catetos, hipotenusas, senos e co-senos. Serra, todos nós sabemos, tem cara de vampiro. Sobra quem?

Se for para votar em quem tem cara de quem comeu (e gostou), vamos ressuscitar, então, Paulo Salim Maluf ou Collor de Mello, que exalam saúde por todos os dentes. Ou o Sarney, untuoso, com sua cara de ratazana bigoduda. Por que não chamar o José Roberto Arruda, dono de um apetite voraz e de cuecões multi-bolsos? Como diriam os franceses, “il péte de santé”. O banqueiro Daniel Dantas, bem escanhoado e já desalgemado, tem cara de quem se alimenta bem. Essa é a elite bem nutrida do Brasil.

Rita Lee não se enganou: Marina tem a cara de fome do Brasil, mas isso não é motivo para deixar de votar nela, porque essa é também a cara da resistência, da luta da inteligência contra a brutalidade, do milagre da sobrevivência, o que lhe dá autoridade e a credencia para o exercício de liderança em nosso país.

Marina Silva, a cara da fome? Esse é um argumento convincente para votar nela. Se eu tinha alguma dúvida, Rita Lee me convenceu definitivamente.

P.S. – Uma leitora cricri, mas competente, que está fazendo doutorado em São Paulo (e a tese, quando é que sai?) me lembra que a FAPEAM e a Secretaria de Ciência e Tecnologia do Amazonas constituem o lado sério da atual política estadual, responsável, em 2007, pela primeira lei de mudanças climáticas no Brasil.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Recebido por email!


Nem tudo o que se recebe por email é sobre política ;)
hahahaha
Como eu já percebi que só vou escrever algo além da minha monografia quando já for uma anciã experiente, vou postar isso aqui só pra tirar um pouco as teias desse blog.
Se estiver com vontade de ler algo leve, não é de minha autoria - mas é gostosa a sensação ao fim da leitura.

Uma história curta sobre fazer o bem, sem medir esforços e "sem olhar a quem". Poderia ser um filme, que assistiríamos e sairíamos aliviados do cinema ou da frente da tela. Mas é uma mini-leitura apenas. Como um conto, ou crônica.
Ontem estive conversando com a minha colega de apartamento (a Grazi) sobre religião, Deus, sentido da vida. Fazer o bem pode ser um bom sentido para qualquer vida. Gentileza só gera gentileza. Ser bom mesmo quando tudo parece estar conspirando contra, pode mudar vidas.
Cada um sabe quando se depara com uma situação em que pode escolher entre ser gentil, "fazer o bem com um pequeno gesto" ou apenas ignorar o que está acontecendo, na vida real, no filme em que você é o protagonista.

Todas as pessoas estão passando por algum tipo de luta (li isso várias vezes e em vários lugares nos últimos tempos). É verdade, você, e todos à sua volta. Seja mais gentil do que o necessário, com as que cruzarem teu caminho. Não é tão difícil, e faz bem pra você também.

agora voltando ao trabalho,

ah, eis aqui o texto:

"Em agosto de 2001, Moshê (nome fictício), um bem-sucedido empresário judeu de Nova York, viajou para Israel a negócios.
Na quinta feira, dia nove, entre uma reunião e outra, ele aproveitou para fazer um lanche rápido na pizzaria da esquina das ruas Yafo e Mêlech George, no centro de Jerusalém.

O estabelecimento estava superlotado. Logo ao entrar na pizzaria, Moshê percebeu que teria de esperar muito tempo numa enorme fila, caso realmente desejasse comer alguma coisa - mas ele não dispunha de tanto tempo. Indeciso e impaciente, pôs-se a ziguezaguear por perto do balcão de pedidos, esperando que alguma solução caísse do céu.
Percebendo a angústia do estrangeiro, um israelense perguntou-lhe se ele aceitaria entrar na fila à sua frente. Mais do que agradecido, Moshê aceitou. Fez seu pedido, comeu rapidamente e saiu em direção à sua próxima reunião.

Menos de dois minutos após ter saído, ele ouviu um estrondo aterrorizador. Assustado, perguntou a um rapaz que vinha pelo mesmo caminho que ele acabara de percorrer, o que acontecera. O jovem disse que um homem-bomba acabara de detonar uma bomba na pizzaria Sbarro`s.

Moshê ficou branco. Por apenas dois minutos ele escapara do atentado. De imediato, lembrou do israelense que lhe oferecera o lugar na fila. Certamente ele ainda estaria na pizzaria.
Aquele sujeito salvara a sua vida e agora poderia estar morto.
Atemorizado, correu para o local do atentado para verificar se aquele homem necessitava de ajuda. Mas encontrou uma situação caótica no local.

A Jihad Islâmica enchera a bomba do suicida com milhares de pregos para aumentar seu poder destrutivo. Além do terrorista, de vinte e três anos, outras dezoito pessoas morreram, seis eram crianças. Cerca de outras noventa pessoas ficaram feridas, algumas em condições críticas.

As cadeiras do restaurante estavam espalhadas pela calçada. Pessoas gritavam e acotovelavam-se na rua, algumas em pânico, outras tentando ajudar de alguma forma.
Entre feridos e mortos estendidos pelo chão, vítimas ensangüentadas eram socorridas por policiais e voluntários. Uma mulher com um bebê coberto de sangue implorava por ajuda. Um dispositivo adicional já estava sendo desmontado pelo exército.
Moshê procurou seu "salvador" entre as sirenes sem fim, mas não conseguiu encontrá-lo. Ele decidiu que tentaria de todas as formas saber o que acontecera com o israelense que lhe salvara a vida. Moshê estava vivo por causa dele.
Precisava saber o que acontecera, se ele precisava de alguma ajuda e, acima de tudo, agradecer-lhe por sua vida.

O senso de gratidão fez com que esquecesse da importante reunião que o aguardava. E começou a percorrer os hospitais da região, para onde tinham sido levados os feridos no atentado. Finalmente, encontrou o israelense num leito de um dos hospitais, muito ferido, mas não corria risco de vida.

Moshê conversou com o filho dele, que já estava acompanhando seu pai e contou tudo o que acontecera. Disse que faria tudo que fosse preciso por ele. Que estava extremamente grato àquele homem e que lhe devia sua vida. Depois de alguns momentos, Moshê se despediu do rapaz e deixou seu cartão, para caso o pai necessitasse de ajuda. Que a família não hesitasse em comunicá-lo. Quase um mês depois, Moshê recebeu um telefonema em seu escritório em Nova Iorque daquele rapaz, contando que seu pai precisava de uma operação de emergência. Segundo especialistas, o melhor hospital para fazer aquela delicada cirurgia fica em Boston, Massachussets.
Moshê não hesitou. Arrumou tudo para que a cirurgia fosse realizada dentro de poucos dias. E fez questão de ir pessoalmente receber e acompanhar o amigo em Boston, que fica a uma hora de avião de Nova Iorque.
Talvez outra pessoa não tivesse se esforçado tanto apenas pelo senso de gratidão. Outra pessoa poderia ter dito "Afinal, ele não teve intenção de salvar a minha vida: apenas me ofereceu um lugar na fila ." Mas, não Moshê. Ele se sentia profundamente grato, mesmo um mês após o atentado. E ele sabia como retribuir um favor.
Naquela manhã de terça-feira, Moshê foi pessoalmente acompanhar seu amigo - e não foi trabalhar. Sendo assim, pouco antes das nove horas da manhã,
naquele dia onze de setembro de 2001, Moshê não estava em seu escritório no 101º andar do World Trade Center Twin Towers."

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Rsrs, publicado em 09/03/2010 por Dino Cantelli



Fonte, o original está em: http://dinocantelli.wordpress.com/page/2/

Havia um engraçadinho carente embaixo da passarela que levava à rodoviária. Desviei meu olhar, porque quando algum deles nos veem querem logo um sorriso, gargalhada, essas coisas baratas. Não adiantou a alegria.

- Hei, tio, me dá um trocadilho.

- Desculpe, mas só estou com a minha risada de trabalho.

- Tio, é um trocadilho pra comprar uma tirada.

- Sei. Vai é atrás de 140 caracteres de alguma droga! Onde estão seus pais?

- Tão lá no semáforo fazendo stand up. Era pra eu tá vendendo gracejos. Se eles sabem que estou pedindo me matam de rir.

- Eles tinham algum tipo de trabalho? Como faziam pra manter o hilário do mês?

- Bem, o último trabalho deles era uma piada.

- Hum, daí resolveram partir pra piada vagabunda. Você deveria estar na escola. Pensando em ser no futuro um homem de grande ironia.

- Sarcástico assim como o senhor?

- Não sou tão sarcástico como você pensa. Eu só trabalho duro pra ter o meu cinismo. Minha carteira está vazia. Não tem nem graça.

- …

- Pare de me olhar assim. Vamos, pegue essa deixa. E pense naquilo que eu te disse.

- Obrigado, tio. O senhor tem um bom humor.

segunda-feira, 31 de maio de 2010


Eu só escrevo pra me sentir mais leve mesmo. Esse monte de palavras dentro da minha cabeça forma sopa de letrinhas de chumbo, às vezes, quase sempre. Liberto-as e pronto. Leveza. plumas, algodão. Terra seca indo com o vento.


Boa semana de inverno e início de festas juninas pra você (que leu até aqui haha foi curto hoje - o trabalho me chama!).

domingo, 23 de maio de 2010

Sobre escrever e amar.


Pensando no meu bem-estar físico e emocional, vim escrever.
Escrever me faz bem. Amar não faz tanto assim.
O problema de amar é que a gente nunca sabe a medida certa entre o amor-próprio e o amor ao outro.
Quando eu quero que o outro me compreenda, ouça também o que eu não digo, me perdoe, me ajude, esteja comigo - talvez eu esteja pondo em campo o amor-próprio, o quanto o outro faz bem para mim e meu bem-estar.
Quando eu digo para o outro que ele tem que ser livre, fazer o que ele acha que deve fazer, o que ele quer fazer, e que eu não posso e nem devo interferir nas escolhas dele. Quando eu desejo a felicidade do outro, mesmo que não seja ao meu lado, talvez esse seja o verdadeiro amor.
O amor-livre é mais feliz! Mas como é raro!
Como será que se encontra esse ponto em comum entre o amor-próprio e o amor livre ao(s) outro(s)?
O mundo seria tão melhor se soubessemos...
Complicado e difícil compreender porque os sentimentos nos colocam em panelas de pressão de vontades inimagináveis. Porque projetamos tanto no outro o que queremos ou sonhamos que ele fosse. Porque exigimos do outro tantas explicações e tanta presença e tanta coisa sem explicação. O amor age, a paixão age, e agimos, pouco sabendo que fim tudo vai levar.

No fim, o importante mesmo é a trajetória que fazemos para chegarmos àquele fim.
Que eu me recupere.
Que o amor seja sempre nosso bem maior, de valor inestimável.

E que a vida minha e a do outro que eu quero comigo, não se transforme em pó.
Amém.

Domingo de muito trabalho e semana feroz pela frente. Será que o amor aguenta? O coração vai pular pra fora do corpo logo, logo.

Pintura de corações muticoloridos de Noemi Carnielli do Prado - direitos autorais.

sábado, 22 de maio de 2010

Gilka Aria

Ser chique é uma questão de atitude...

Nunca o termo "chique" foi tão usado para qualificar pessoas como atualmente.

A verdade é que ninguém é chique por decreto.

E algumas boas coisas da vida, infelizmente, não estão a venda. Elegância é uma delas.

Assim, para ser chique é preciso muito mais que um guarda-roupas recheado de grifes importadas. Muito mais que um belo carro alemão.

O que faz uma pessoa chique, não é o que essa pessoa tem, mas a forma como ela se comporta.

Chique mesmo é quem fala baixo. Quem não procura chamar atenção com suas risadas muito altas, nem por seus imensos decotes. Mas que, sem querer, atrai todos os olhares, porque tem brilho próprio.

Chique mesmo é quem é discreto, não faz perguntas inoportunas, nem procura saber o que não é da sua conta.

Chique mesmo é parar na faixa de pedestre e abominar a mania de jogar lixo na rua.

Chique mesmo é dar bom dia ao porteiro do seu prédio e as pessoas que estão no elevador. É lembrar do aniversário dos amigos.

Chique mesmo é não se exceder nunca. Nem na bebida, nem na comida, nem na maneira de se vestir.

Chique mesmo é olhar no olho do seu interlocutor. É "desligar o radar" quando estiverem sentados a mesa do restaurante e prestar verdadeira atenção à sua companhia.

Chique mesmo é honrar a sua palavra. É ser grato a quem lhe ajuda, correto com quem você se relaciona e honesto nos seus negócios.

Chique mesmo é não fazer a menor questão de aparecer, mas ficar feliz ao ser prestigiado.

Mas para ser chique, chique mesmo, você tem, antes de tudo, de se lembrar sempre do quanto que a vida é breve e de que vamos todos para o mesmo lugar.

Portanto, não gaste sua energia com o que não tem valor, não desperdice as pessoas interessantes com quem se cruzar e não aceite, em hipótese alguma, fazer qualquer coisa que não lhe faça bem.

Porque, no final das contas, chique mesmo é ser feliz!



Texto do livro "A quem interessar possa", de Gilka Aria.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

O medo: o maior gigante da alma (Fernando Teixeira Andrade)

FONTE: http://pro-ciencia.blogspot.com/

Para quem tem medo, e a nada se atreve, tudo é ousado e perigoso. É o medo que esteriliza nossos abraços e cancela nossos afetos; que proíbe nossos beijos e nos coloca sempre do lado de cá do muro. Esse medo que se enraíza no coração do homem impede-o de ver o mundo que se descortina para além do muro, como se o novo fosse sempre uma cilada, e o desconhecido tivesse sempre uma armadilha a ameaçar nossa ilusão de segurança e certeza.

O medo, já dizia Mira Y Lopes, é o grande gigante da alma, é a mais forte e mais atávica das nossas emoções. Somos educados para o medo, para o não-ousar e, no entanto, os grandes saltos que demos, no tempo e no espaço, na ciência e na arte, na vida e no amor, foram transgressões, e somente a coragem lúdica pode trazer o novo, e a paisagem vasta que se descortina além dos muros que erguemos dentro e fora de nós mesmos.

E se Cristo não tivesse ousado saber-se o Messias Prometido? E se Galileu Galilei tivesse se acovardado, diante das evidências que hoje aceitamos naturalmente? E se Freud tivesse se acovardado diante das profundezas do inconsciente? E se Picasso não tivesse se atrevido a distorcer as formas e a olhar como quem tivesse mil olhos? "A mente apavora o que não é mesmo velho", canta o poeta, expressando o choque do novo, o estranhamento do desconhecido.

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.